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Temos um alvo do coronavírus no pescoço

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Alerta reflete apreensão de uma das comunidades mais vulneráveis à pandemia, os traqueostomizados. A Associação de Câncer de Boca e Garganta busca, junto aos governos estaduais de todo o Brasil, distribuição de filtros para proteger os pacientes, que são mais suscetíveis, com baixa imunidade e alteração da fisiologia respiratória

O pedido de socorro do título é um “grito” por ajuda de Melissa Ribeiro, sobrevivente de câncer de laringe e presidente voluntária na ACBG Brasil – Associação de Câncer de Boca e Garganta. “Nós, os traqueostomizados, respiramos permanentemente por uma estomia (comunicação entre a traqueia e o meio externo) no pescoço, em virtude da retirada da laringe por causa de um câncer. Como não respiramos pela boca e nariz, perdemos para sempre a proteção natural do organismo para filtrar, umedecer e permutar a temperatura do ar sujo que entra direto nos pulmões. Temos pneumonias recorrentes, porque além de sermos pacientes oncológicos em tratamento ou seguimento, possuímos imunidade mais baixa”, explica Melissa, lembrando que os pacientes têm em média 60 anos e retiram a laringe por câncer no órgão, ou seja, têm alto risco para a pandemia.

A fonoaudióloga Suzana Areosa, gestora da Rede+Voz da ACBG, informa ainda que esses pacientes trazem sequelas respiratórias por conta da alteração da fisiologia respiratória. “Nesse momento de pandemia de um vírus que tem basicamente contágio pelo ar, pela inalação, esses pacientes são mais suscetíveis, pois além de possuírem baixa imunidade devido ao tratamento do câncer, ainda possuem essa alteração da fisiologia respiratória. Por isso, é importantíssimo que tenham acesso aos insumos, que são os filtros e adesivos que possibilitam uma proteção maior”.

Cenário no Brasil
O Instituto Nacional de Câncer – INCA estima que para o triênio 2020-2022 haverá, por ano, 6.470 novos casos de câncer de laringe em homens e 1.180 em mulheres. Segundo o INCA, sem considerar os tumores de pele não melanoma, em homens, o câncer de laringe ocupa a oitava posição nas regiões Centro-Oeste e Nordeste; nona posição nas Regiões Sudeste e Norte; e 11a na Região Sul. Entre as mulheres, ocupa a 16a posição em todas as Regiões brasileiras, exceto na Sudeste (1,03/100 mil) que fica na 17a.