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Cotidiano

Brasil registra 360 acidentes graves com queimadura por uso de álcool durante a pandemia

Isso sem considerar os casos de menor gravidade. Maioria dos casos aconteceu em São Paulo

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Não são somente os dados de pessoas atingidas pelo novo coronavírus que têm assustado profissionais de saúde de todo o país. Outra estatística acende um alerta: a de acidentes pelo uso indiscriminado de álcool, produto indicado para higienização contra a Covid-19. Desde março deste ano, quando também foi liberado o uso de álcool 70% na forma líquida, cerca de 360 pessoas foram internadas em razão de acidentes graves com queimaduras. Fora os casos em que não precisam de hospitalização, os quais não são contabilizados, mas são percebidos por médicos e enfermeiros que fazem o atendimento.

O maior número de acidentes aconteceu em São Paulo, um total de 104, seguido de Goiás, com 69 casos, e Pernambuco, com 38 registros. “As pessoas têm usado o álcool sem orientação adequada. Usam em casa, para higienizar objetos, passam no corpo todo e se aproximam de chamas, vão para cozinha e é onde acontecem os acidentes”, ressalta o presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras, José Adorno.

No Rio de Janeiro, por exemplo, onde 11 acidentes com queimaduras envolvendo álcool 70% aconteceram, pelo menos dois casos foram de pessoas que usaram álcool para higiene e, em seguida, acenderam um cigarro. A maioria das pessoas não se atenta a esse risco. Principalmente com relação ao álcool em gel, por não produzir chamas visíveis.

A recomendação dos médicos é que, em casa, o álcool seja substituído por água e sabão para higienizar as mãos, e a água sanitária para limpar objetos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclusive, publicou nota técnica (nº 26/2020) recomendando os produtos saneantes que possam substituir o álcool 70% na desinfecção das superfícies, entre eles o hipoclorito de sódio 0,5% e desinfetantes de uso geral com ação virucida.

ATENÇÃO – Desde o início da pandemia, quando começaram as indicações de uso de álcool em gel para higienização das mãos, a SBQ voltou ainda mais sua atenção para os perigos ligados a este uso. O alerta soou ainda mais forte quando a Anvisa, em março, liberou a venda de álcool 70% líquido para venda ao público em geral. A comercialização deste produto estava proibida desde 2002 e voltou a ser permitida em razão da grande procura pelo produto em gel – e a falta dele no mercado à época.

Levantamento feito por uma empresa que vende produtos farmacêuticos em um aplicativo aponta que, em todo o país, no início da pandemia, as vendas de álcool em gel subiram 185% no Brasil, em comparação ao mesmo período do ano passado. Somente em fevereiro, o faturamento foi de 381%.

Não há dados sobre o consumo da forma líquida. Porém, um estudo realizado pela SBQ antes da proibição da venda deste produto, aponta que entre 1991 e 2008, o álcool líquido foi o responsável por 44% dos acidentes com crianças.

Em razão de tudo isso e, ainda mais agora, a Sociedade Brasileira de Queimaduras busca agir junto à sociedade, profissionais de saúde e órgãos fiscalizadores, reguladores e governamentais, para buscar conscientização e educação no consumo deste produto.

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