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APÓS A COVID-19, O MUNDO SERÁ OUTRO

Janguiê Diniz

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Janguiê Diniz

Estamos passando pela maior crise que a humanidade experimentou nos últimos 100 anos. Uma crise mais devastadora que uma Guerra Mundial, somente idealizada e preconizada em filmes de suspense e de terror. Uma guerra na qual o inimigo não é um país, mas um inimigo invisível, um vírus, que a comunidade científica chama de coronavírus e que uma parcela da sociedade, erroneamente, tem chamado de “peste chinesa” em face do primeiro caso ter ocorrido naquele país. Este inimigo oculto já está impactando negativamente bilhões de pessoas em todo o planeta, infectando  todas as nações do mundo, causando um dos maiores problemas de saúde pública da humanidade e, por via de consequência, incrementando a maior recessão de todos os blocos econômicos dos últimos 100 anos, capaz de levar à bancarrota centenas de milhares de empresas e dezenas de nações, caso não seja eficazmente combatido através de medidas preventivas, vacinas, medicamentos, ações e políticas  públicas eficazes.

É importante registrar, inicialmente, que a Covid-19, como é cientificamente chamada a doença provocada pelo coronavírus, e que o numeral 19 se refere ao ano da sua descoberta, embora não possua uma taxa de letalidade comparada à de inimigos similares de outrora, como a gripe espanhola, é detentora de uma substanciosa capacidade de multiplicação e de uma imensa velocidade de contaminação, extremamente superior à de inimigos pretéritos conhecidos pela humanidade. Ela está atingindo, principalmente, mas não exclusivamente, a população mais idosa, considerada grupo de risco, aquela superior a 60 anos, e os possuidores de comorbidades e de graves doenças como diabetes, hipertensão, doença cardiovascular, câncer, doenças respiratórias, dentre outras, fazendo com que as nações mais poderosas do mundo, como os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Alemanha, o Japão, etc., se curvem à sua nocividade e implementem   uma paralização quase que integral  de suas atividades, salvo atividades essenciais,  o chamado lockdown ou shutdown horizontal, causando uma assustadora crise econômica das mais nefastas para eles e  para toda  a humanidade.

Pesquisando sobre doenças infecciosas, encontramos na revista Exame de fevereiro de 2020, texto no qual se afirma que, no ano de 2018, a tuberculose matou 1,5 milhão de pessoas no mundo; a hepatite B e C, 1,34 milhão; o HIV, 770 mil por complicações da doença; a gripe ou influenza, 650 mil  no mundo; a malária, 405 mil; a meningite, 170 mil; a cólera, 143 mil; a raiva, 59 mil; a febre amarela, 30 mil; a dengue, 25 mil, totalizando no mundo 51 milhões de mortes durante a década. Nenhuma dessas doenças, no entanto, incutiu tanto terror às pessoas e às  nações, a ponto de fazê-las paralisar  integralmente todas as suas atividades e impor toque de isolamento de quase  toda a população em suas casas, por um período indefinido de quarentena.

A paralização horizontal implementada pela maioria dos países, inclusive o Brasil, está sendo  realizada  com alguns objetivos principais, dentre eles: salvar  tantas vidas quanto for possível;  garantir que o sistema de saúde, especialmente os leitos de UTIs, não entre em colapso por conta da grande quantidade de internações simultâneas. Todos abraçaram a tese de qe é necessário a qualquer custo, achatar a curva da contaminação, para evitar a superlotação e a superação da capacidade do sistema de saúde das cidades, dos estados e do país.

Entretanto, o isolamento horizontal, remédio que está sendo utilizado para combater o vírus, embora extremamente necessário, não conseguirá derrotar o inimigo invisível, mas apenas postergar a contaminação e ganhar tempo para que a ciência consiga achar  um medicamento eficaz de cura  e também  uma vacina para evitar a  contaminação maciça da população.

No entanto,  se esse remédio, a quarentena com a paralisação dos negócios, for utilizado por muito tempo, o efeito colateral dele poderá  causar muito mais mortes que o próprio vírus, só que mortes invisíveis,  causadas  por  outro vírus, o vírus da miséria e  da fome,  pois implementará o caos econômico acarretando   danos irreversíveis ao país e à sua população, já que levará à falência incontáveis empresas, milhões de profissionais liberais e trabalhadores informais,  e será extremamente “devastador,” talvez muito pior que a própria patologia.

Nesse sentido, é particularmente triste  reiterar   que a implementação  do isolamento geral da população  por muito tempo, com o intuito de  combater a pandemia no Brasil e no mundo poderá matar  muito mais gente que o próprio coronavírus. A grande diferença é que serão “mortes invisíveis”, pois instalará uma grave crise econômica irreversível, colocando o país (vamos restringir a análise apenas ao Brasil) numa situação de  extrema pobreza. É que, diferentemente de algumas nações ricas, que também estão sofrendo com a doença, como os Estados Unidos, a França, a Itália, a Espanha e a Alemanha, etc., apenas 6% da população brasileira possui poupança. O tempo médio de caixa das empresas brasileiras pequenas e médias é de quinze dias. Os trabalhadores informais, os profissionais liberais e os próprios trabalhadores celetistas trabalham um mês para viver o seguinte. A renda média da família brasileira é de cerca de 400 dólares (enquanto, na Europa, é de 2 mil dólares) e 80% dos postos de trabalho brasileiros são formados pelos pequenos e médios empreendedores, ou seja, cerca de 35 milhões de empreendedores informais, que jamais podem parar as suas atividades por um tempo superior a uma semana. Ademais, a paralisação integral das atividades por muito tempo, acarretará, consequentemente,  uma avalanche de desemprego que superará a casa dos 30% de desempregados, ou mais de 40 milhões, a tal ponto de o fundador da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, defender a criação de um Plano Marshal (pacote de reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra Mundial), para tentar salvar o Brasil e também alguns países do mundo. É que, se persistir a paralisação integral da atividade produtiva por muito tempo, os estragos na economia real serão extremamente profundos, com possibilidade de gerar um caos social no país, no qual  as pessoas começarão a passar fome, o índice de violência recrudescerá, haverá uma ampliação do número de assaltos e latrocínios, saques em supermercados, aumento do número de assassinatos,  etc.

É importantíssimo lembrar que, para uma família de classe alta ou até média, que vive em grandes moradias, já é difícil viver em isolamento geral por um longo período, imagine a grande maioria dos brasileiros que pertence às classes C, D e E e mora em pequenas casas, apartamentos e barracos em bairros populares e favelas –  realiza-lo torna-se quase que impossível. Outrossim,  milhões de brasileiros, para sobreviver, dependem do dinheiro que ganham durante a semana de trabalho, e não conseguirão sobreviver sem trabalhar por muito tempo a não ser que o Governo Federal banque as suas despesas.

Não podemos deixar de pontuar, que as Medidas Provisórias (927/20 e 936/20) editadas pelo Governo Federal para tentar impedir as rescisões dos contratos de trabalho em massa, elas associadas ao “coronavaucher” de R$600,00, dão, sem sombra de dúvidas, uma sobrevida ao mercado como um todo, porém, tais medidas e dinheiro utilizado são finitos, um dia acabam.  Nesse contexto, os R$600   mensais que o Governo Federal se propôs a repassar para os milhões de desempregados e trabalhadores brasileiros a partir do mês de abril  aliviarão  bastante  o problema da fome, mas não resolverão o grave problema,  caso a pandemia  persista e o isolamento integral tenha que perdurar por muito tempo.  

Ampliando o quadro de análise, é muito triste  trazer à baila que, segundo especialistas, a mortalidade da Covid-19  em adultos com mais de 60 anos é alta, por outro lado, é particularmente otimista consignar que, nas crianças e jovens ela é muito  pequena, muito menor do que a gripe comum ou H1N1. Nesse sentido, é extremamente importante acalmar a população e diminuir o pânico, através de esclarecimentos,  informando que grande maioria dos casos de infecção acarreta apenas sintomas leves, não havendo necessidade de uma corrida aos hospitais. Entretanto, o grande problema é a velocidade de contaminação do vírus, que pode acarretar um grande número de doentes graves dependentes de respiradores e leitos de UTIs, impulsionando o sistema de saúde brasileiro e mundial a um colapso, como já está acontecendo em  cidades da Itália, da Espanha, da França  e até dos Estados Unidos, como Nova York. Problema este que, a médio prazo pode ter solução se esforços hercúleos forem envidados pelos governos, especialmente os federias. Uma  das soluções consistiria  em contratar, urgentemente, grande quantidade de profissionais de saúde, que se encontram desempregados, ou trabalhando informalmente, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos e dentistas, que possuem conhecimentos básicos de saúde e podem colaborar, para fazer parte de um grande mutirão de combate à Covid-19. Uma forma de estimular essa categoria de profissionais, de imprescindível importância neste momento de pandemia, exclusivamente para aqueles que estiverem na linha de frente da Covid-19, seria adotar as seguintes medidas: 1) isentá-los do pagamento do Imposto de Renda por um determinado período; 2) perdoar dívidas do financiamento estudantil (Fies); 3) privilegiá-los na participação do Programa Mais Médicos; 4) beneficiá-los com determinados pontos nos programas de residência médica,  além, é claro, do fornecimento de todos os equipamentos de proteção individual necessários para o desenvolvimento de suas atividades. ; 5) e um seguro de vida para seus familiares.  Ademais, para vencer esta guerra, mister se faz aumentar a quantidade de equipamentos de proteção e recuperação nas unidades de saúde, especialmente os essenciais respiradores, bem como aumentar substancialmente os leitos hospitalares, especialmente de UTIs,  que posteriormente poderão ser desativados, como já foi feito, outrora, em outras crises epidemiológicas.

A título de ilustração, interessante analisar as estatísticas de mortes ocorridas na Itália, apresentadas pelo Ministério da Saúde daquele país. Na Itália, em sua grande maioria, as mortes por infecção de coronavírus ocorreram em pessoas idosas, com idade média de 79.5 anos para homens e 83.7 anos para mulheres, sendo que 70% delas foram de pessoas do sexo masculino. Ademais, a maioria das vítimas, em média, tinham 2,7 outras doenças graves antes de contrair o vírus: 48,5% tinham três ou mais doenças como câncer, doenças cardíacas e hemorragia cerebral.

Com efeito, importante asseverar que neste texto, não tenho a pretensão de apontar soluções terapêuticas para combater o vírus, nem tampouco a  de defender quaisquer tipos de distanciamento  social como forma de controle da epidemia, seja  isolamento horizontal ou vertical, já que não sou médico  nem epidemiologista.  Mas, como estudioso, empreendedor e  curioso,    fazer, embora que de forma perfunctória e em apertada síntese,  algumas reflexões sobre uma das maiores  crises epidemiológica  mundiais,  que está causando o maior caos econômico que o mundo já viveu,  e, tentar mostrar, na minha modesta luz,   algumas  causas e soluções que poderão ser implementas pelos poderes públicos mundiais  para  controlar a pandemia e diminuir o colapso econômico global.

Nessa perspectiva, cumpre mostrar aqui que o  biofísico da Universidade de Stanford, ganhador do Prêmio Nobel de Química em 2013, Michel Levitt acredita que a pandemia da Covid-19 pode acabar mais cedo do que imaginamos. Segundo ele, é preciso haver detecção, pois o vírus só pode crescer exponencialmente quando não é detectado e não existem medidas para impedir sua propagação. Ele registrou que a gripe sazonal infectou cerca de 36 milhões nos Estados Unidos em cerca de 6 meses e matou cerca de 22 mil pessoas. Segundo ele, o fato de termos anticorpos naturais contra a gripe, infraestrutura médica, antecipar a doença do coronavírus e estarmos preparados para lidar com ela,  vai diminuir substancialmente o número de mortes. Para Levitt, embora a taxa de letalidade pela Covid-19 seja  mais alta que o da gripe, não será o fim do mundo.

Outrossim, em breve teremos remédios eficientes e eficazes para curar a doença e, se Deus quiser e a ciência, uma vacina para imunizar toda a população mundial. Sobre medicamentos, convém assinalar que pesquisadores fizeram uma pesquisa com um número restrito de  pacientes, todos infectados pela Covid-19 e com sintomas. Parte deles foi tratada com hidroxicloroquina, o remédio da malária. Outros, a grande maioria, foi tratada com hidroxicloroquina e azitoromicina, e os demais não tiveram a utilização desses medicamentos. Mais de 50% dos que foram tratados com hidroxicloroquina ficaram livres do vírus. Todos os que foram tratados com hidroxicloroquina e azitromicina foram curados. Uma grande esperança.

Demais disso, para 100 pacientes internados no hospital Lennox Hill, nos Estados Unidos, em decorrência da infecção do vírus, após o uso de hidroxicloroquina, versão menos tóxica da cloroquina,  não se verificou nenhum óbito entre eles segundo o doutor William Grace, médico daquele hospital. Por outro lado, em ensaio clínico randomizado ocorrido  no Renmin Hospital of Wuhan University   entre os dias 4 e 28 de fevereiro de 2020 realizado com 62 pacientes infectados pelo coronavírus, os pacientes foram  divididos aleatoriamente em dois grupos. 31 receberam hidroxicloroquina e 31 placebo. Para aqueles que receberam hidroxicloroquina o resultado foi surpreendente e a maioria deles melhorou. Ademais, o renomado especialista em doenças infeciosas  Stephen Smith, fundador do Smith Center for Infectious diseases, em Nova Jersey,  juntamente com sua equipe  tratou  com  hidroxicloroquina 50 pacientes infectados pelo vírus  e registrou que todos eles que usaram o medicamento por 5 dias ou mais não precisaram ser entubados e melhoraram.

 Uma outra esperança é que quatro pessoas infectadas com a Covid-19 que estavam internadas em estado grave no Hospital Igesp, de São Paulo, foram totalmente curadas e já receberam alta. Sobre vacina, existem diversos países no mundo em fase de testes de vacinas. Os Estados Unidos já testaram em humanos, a China também já está em fase de testes, e, recentemente cientistas israelenses chefiados por  Chen Katz informaram   em entrevista para o jornal The Jerusalem Post que pretende iniciar os testes em humanos em 1º  de junho de 2020. O avanço ocorreu depois de os cientistas estarem há quatro anos desenvolvendo uma vacina para o vírus da bronquite infecciosa das galinhas. A droga que está sendo desenvolvida para o novo coronavírus seria uma adaptação dessa primeira pesquisa. Segundo o cientista, a vacina que será oral,  estará disponível ao público em geral em no máximo noventa dias. Oxalá seja verdade. 

De outra  parte, o supercomputador mais rápido do mundo, denominado Summit, da empresa IBM, está tentando descobrir remédios que possam frear a disseminação da Covid-19. Conforme os pesquisadores, o computador realizou milhares de simulações em apenas dois  dias (enquanto um computador normal demoraria meses), com a finalidade de analisar quais compostos químicos poderiam atuar impedindo o vírus de se multiplicar. De uma lista com mais de 8 mil substâncias analisadas, a máquina, que consegue realizar 200 quatrilhões de cálculos por segundo, identificou 77 delas, que, mesmo embrionariamente, e ainda sem comprovação científica, têm certa capacidade para combater o vírus. De agora em diante, devem acontecer estudos científicos para provar quais desses medicamentos podem funcionar para vencer o coronavírus.

Por outro lado, já nos beneficiamos da experiência de outros países que já sofreram e sofrem com a doença há mais tempo. A China já está flexibilizando os isolamentos, inclusive fechando hospitais de campanha. A Coreia e o Japão vêm enfrentando a doença sem isolamento ou lockdown qualquer, nem vertical, nem tampouco o horizontal, com o mínimo de letalidade e com prejuízo econômico muito pequeno, apenas realizando exames rápidos na maior parte da população, para detectar os  infectados, e monitorando as pessoas com resultados positivos e também aquelas que fazem parte dos grupos de risco.

Logo, no afã de diminuir o contágio e  evitar o maior número de mortes possíveis, sejam elas causadas pela contaminação do vírus, sejam elas causadas pelo vírus invisível da fome, sugerimos que sejam tomadas as seguintes medidas: 1) isolamento social da população  temporário e parcial; 2) apesar de fazermos parte de uma união federativa, como estamos vivendo uma situação de calamidade pública, em estado de emergência, similar a situação de guerra,  tem que ser estabelecido um “comando unificado” em todo o país para combater a epidemia,  como foi defendido pelo Ph.D  Harvey V. Fineberg, e esse comando geral deve ser personificado no  Ministério da Saúde por meio do Ministro da Saúde, que  deve se reportar diretamente ao presidente da república, e deve ter total confiança do presidente, com auxílio de todos os outros ministérios e das Forças Armadas.

Os estados federativos bem como os municípios devem  criar, em cada estado e em cada município uma central de crise, que deve ficar a cargo das Secretarias de Saúde que devem normativamente e  obrigatoriamente, seguir todas as  diretrizes e recomendações  emanadas  pelo Ministério da Saúde e pela Presidência da República. Se quisermos vencer esta guerra, é necessário haver um comando central  de onde  serão emanadas diretrizes, regras e ordens que deverão  ser seguidas e obedecidas. Em face da situação de guerra que estamos vivendo jamais poderá se permitir que o Ministério da Saúde crie  diretrizes para combater o vírus e certos estados ou municípios deixem de segui-las, ou  até criem   outras diferentes ou em confronto com as estabelecidas pelo ministério; 3) aumentar substancialmente  a quantidade de unidades hospitalares bem como  a quantidade de leitos de UTIs, com a aquisição de  equipamentos de recuperação especialmente os essenciais respiradores; 4) criar um grande mutirão de combate à Covid-19 e  contratar, urgentemente, grande quantidade de profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos,   dentistas e profissionais de educação física, possuidores de conhecimentos básicos de saúde, para fazerem parte de um grande mutirão de combate, com salários diferenciados e benefícios específicos; 5) fornecer,  urgentemente,  para todos os profissionais de saúde do país,  equipamentos de proteção individual necessários e de qualidade para o desenvolvimento de suas atividades. “Não dá  para  enviar soldados para a  guerra sem coletes balísticos;  da mesma forma, não podemos enviar profissionais de saúde para  cuidar dos doentes infectados pelo  coronavírus sem os equipamentos necessários”; 6) disponibilizar  milhões de testes para diagnosticar todas  as pessoas sintomáticas, e até as assintomáticas.

A Coreia do Sul conseguiu controlar a pandemia testando todos os seus cidadãos. “Sem testes para diagnosticar e comprovar a infecção não tem como rastrear e diminuir o surto”; 7) como  foi defendido pelo  ministro da Defesa de Israel, Naftali Benneti,  temos que  “separar as pessoas idosas das jovens. A mais mortal combinação é juntar os idosos aos jovens. Porque a  Covid-19 é muito mais letal para os idosos do que para os jovens”.Aquelas pessoas  mais propícias a morrerem em decorrência de uma infecção causada pela Covid-19, que são as pessoas mais idosas e aquelas pessoas detentoras de doenças graves, como diabetes, hipertensão, doenças coronárias, câncer e/ou outras doenças crônicas, e também aquelas pessoas com baixa imunidade,  devem  ser  examinadas,  sem exceção, e testadas. Aquelas que, por acaso já tenham contraído o vírus, mesmo assintomáticas, sejam encaminhadas para acompanhamento e tratamento hospitalar, as com exames negativos seriam  colocadas em quarentena em suas residências ou em abrigos, pousadas e  hotéis, sem qualquer contato com os grupos que não são de risco, para serem cuidadas por agentes de saúde contratados e supervisionados pelos governos federal, estaduais e municipais, com acompanhamento de familiares, até que haja o controle total da pandemia; 8) incentivar todos a usarem máscaras e luvas  de proteção quando estiverem na rua ou exercendo suas atividades. Isso está sendo utilizado na República Tcheca e aquele país está conseguindo evitar o avanço do  vírus; 9) como  foi defendido por Harvey V. Fineberg em seu excelente artigo intitulado  “Dez semanas para esmagar a curva” publicado  no novo jornal inglês de medicina, se faz necessário “diferenciar a população em cinco grupos. O grupo de infectados;  o grupo que se presume estar infectado (pessoas com sintomas que inicialmente testaram negativo); o grupo  que foi exposto;  o grupo de quem não é conhecido por ter sido exposto ou infectado; e  o grupo que se recuperou da infecção e já está imune”.  “Devemos identificar,  através de sintomas,   exames e testes de detecção aqueles que pertencerem a cada um dos quatro grupos iniciais. Internar em unidades hospitalares aqueles infectados em estado grave; utilizar enfermarias para   cuidar daqueles infectados que estão doentes mas que não correm risco de morte, para evitar transmissão para os membros da família;  converter hotéis vazios em centros de quarentena para abrigar aqueles expostos e separá-los da população em geral por 14  dias;  identificar aqueles que foram infectados e já estão imunes  para fornecerem material com anticorpos para combater os infectados”.

Para finalizar, cumpre trazer à baila uma pergunta que muitos estão fazendo ao redor do mundo: como será o “day after”, o dia seguinte a descoberta da cura da Covid-19? Como será o pós-guerra?

Eu gostaria de despertar esse questionamento em todos, em cada indivíduo do planeta, que possua um mínimo traço empreendedor em seu DNA, para que todo esse sofrimento, perdas de entes queridos, de inocentes, dos profissionais de saúde, e, inclusive, de seus empreendimentos, possa valer à pena.

É que nada nesse mundo acontece por acaso.

Segundo Winston Churchill, “Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressadas nas palavras: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança.” É nessa linha que eu vejo o novo mundo pós-guerra. Percebo que não sairemos ilesos de tudo isso, e os que sobreviverem jamais serão os mesmos. Pelo menos não nesta geração. Porque a cicatriz deixada pela  “Covid-19” estará sempre presente no coração de todos, não importando classe social, cor, raça, credo, convicções políticas, etc.

As pessoas darão mais valor as coisas simples, aos valores morais, à ética. Serão mais misericordiosas, as doações mais continuadas, os abraços serão mais sinceros, as disputas mais construtivas e teremos menos ameaça de guerra. Quem duvida que tudo isso não veio para impedir uma guerra nuclear com proporção para destruir todo o planeta?

Vejo um mundo melhor, mais unido, tolerante e misericordioso e isso vai, sim, repercutir nos negócios entre os povos – interna e externamente. As regras de compliance sairão do papel em muitas empresas nos quatro cantos do mundo, porque o ser humano foi despertado para a vida e para a simples constatação de que todos estamos no mesmo barco, ao ponto de um ser humano nascido na China transferir um vírus para um ser humano nascido na Amazônia, estando ambos nos seus respectivos “habitats”.

O maléfico coronavírus fez a humanidade despertar para esta interconexão pessoal e acordar para uma ramificação coletiva que supera fronteiras, ideologias, oceanos, geleiras, montanhas, que teve o poder de pôr todos os mercados em “pausa”, ao ponto de colocar a humanidade em “stand-by”.

Ora, o “day after” será positivo sim, teremos empreendedores mais resilientes, antifrágeis,  éticos, criativos, inventivos, inovadores, solidários, tolerantes, conscientes que temos uma corrente do bem já construída, que infelizmente nos foi despertada por um vírus  destruidor de tantas vidas e sonhos, mas o caminho é o mesmo, da mesma forma que se transmitiu o vírus entre povos tão diferentes, há a possibilidade concreta de se transmitir a bondade, a fraternidade e o amor.

Segundo Lao-Tsé, “a bondade em palavras cria confiança; a bondade em pensamento cria profundidade; a bondade em dádiva cria amor.”  E é dessa forma que eu vejo as novas “pautas” na retomada do mundo, quando o botão do “play” voltar a ser acionado.

Por fim, ousamos afirmar que o coronavírus, como centenas de outros vírus, veio ao mundo para conviver com a humanidade, mostrando aos seres humanos a sua insignificância nesta infinita Via Láctea.

 Ele veio para mostrar que somos seres únicos, mas que fomos feitos para viver coletivamente, já que o mundo não é uma ilha.

 Ele veio para mostrar que os seres humanos são gente e para serem gente, dependem de gente.

 Para mostrar que somos o que somos porque somos todos nós, já que qualquer pessoa precisa de outras para ser ela mesma.

Que um simples ser humano, infectado pelo vírus, lá nos rincões da China, produz um “efeito borboleta” capaz de afetar todos os quase 8 bilhões de seres humanos em todos os países do mundo (Teoria do Caos – Edward Lorenz).

Para lembrar aos seres humanos que, na oração que Jesus nos ensinou, ele diz que o Pai é nosso, e não meu; que o pão é nosso, e não meu; quando pede livramento, ele diz “livrai-nos”, e não “livrai-me”. E diz que “venha a nós o teu reino”, e não “a mim”.

Veio para mostrar que o planeta Terra não será o mesmo após esta pandemia, em todos os setores, e que “nós” é realmente uma mensagem que precisa estar não só na boca do ser humano, mas dentro de todos os nossos corações.

Veio para mostrar que somos seres humanos, mas, seres altamente resilientes e superadores de adversidades.

            Tenhamos fé em Deus para suportar todas as agruras e adversidades que estão por vir, pois fé é a “matéria-prima”, que dá um sentido sublime às nossas vidas e “com fé nada é impossível”. É que o ser humano nasceu para ser um superador de adversidades. É o “selo indelével de Deus”. Existe nele uma “força divina”, uma “vida divina”, uma “centelha divina”, enfim, uma “divindade” que consiste numa “força celestial eterna” que o “potencializa” e o “capacita” diuturnamente para superar todas as dificuldades, adversidades e obstáculos que surgem.

Pois a “vida real” é uma espécie de “montanha-russa grande e louca”.  Ela se inicia “bem devagar, preenche o ser humano com curiosidade, eleva-o e,  logo em seguida,  empurra-o voando para baixo, só para  ve-lo subindo rapidamente novamente”.  O ser humano “ri com alegria, chora com medo, pede a Deus para parar e acabar, mas a marcha da vida simplesmente continua”. Na viagem da vida, “passamos pela dor e pelo prazer, haverá sol e haverá chuva, haverá perda e ganho, voltas e reviravoltas, amor e desilusão, felicidade e tristeza, sucesso e fracasso”, pandemias e curas, mas isto significa viver.

O importante é sermos fortes, resilientes e antifrágeis, pois, consoante certo brocardo: “tempos difíceis criam pessoas fortes, pessoas fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam pessoas fracas e pessoas fracas criam tempos difíceis.” Vamos lutar esta luta contra este inimigo invisível de cabeça erguida pois, consoante máxima universal “diante de Deus de joelho”, mas diante dos problemas, dificuldades e das adversidades “sempre em pé”, haja vista que as “tribulações”, as dificuldades e as adversidades passarão, já que na vida tudo passa. Somente “o amor e Deus nunca passarão”, pois, “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”. Aconteça o que acontecer, “até o sol dos piores dias se põe”.

É preciso que a humanidade, por meio de seus governos, cientistas, pesquisadores, políticos, empresários, profissionais liberais e qualquer do povo aprendam, urgentemente, a conviver com este inimigo invisível, a combatê-lo e a controlá-lo, como ocorreu com os vírus da gripe e de tantas outras doenças.

Tenhamos confiança em nossos profissionais de saúde para cuidarem de nossos doentes. Em nossos cientistas, para descobrirem vacinas e medicamentos para a cura. Em nossos governantes, para que, com seriedade, serenidade, determinação, disciplina, dedicação, sabedoria, coragem e iluminação divina, possam tomar as melhoras decisões.

Com fé nos governantes, nos cientistas, em nós próprios, em nossas atitudes e, sobretudo, em Deus, vamos vencer o inimigo muito mais rápido do que imaginamos, afinal, vai passar!

Recife, 02/04/2020

Janguiê Diniz – Fundador e presidente do conselho de administração do Grupo Ser Educacional / Presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo