Reforços, ambiente e Claudinei: o que explica a boa fase do Sport

Time Sport (Foto: Aldo Carneiro)

Após acumular fracassos na primeira parte da temporada, Leão surpreende na Série A e alcança a vice-liderança, contrariando as previsões

 É certo que a competição ainda está no início e, se o Leão vai continuar na parte de cima, é cedo para saber. Mesmo com a boa fase, existem nós a serem desatados. Mas não há como negar que a campanha, até aqui, é surpreendente. Afinal, ela derruba – pelo menos por ora – ao previsões de que o Leão brigaria contra o rebaixamento por causa de insucessos que colecionou ao longo da temporada. O que fez o Sport ser mais competitivo?

Remontagem com atletas experientes

  
O experiente Michel Bastos foi a principal contratação feita para a Série A (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)
O experiente Michel Bastos foi a principal contratação feita para a Série A (Foto: Aldo Carneiro)

Assim que o Sport foi eliminado na segunda fase da Copa do Brasil, diante do modesto Ferroviário-CE, a antiga diretoria de futebol deixou o clube. Capitaneada por Guilherme Beltrão, vice-presidente de futebol, uma nova foi construída: Klauss Câmara como executivo e Leonardo Lopes e Júlio Neto como diretores de futebol. Uma das primeiras atitudes de Guilherme foi dizer que o Leão, a partir de agora, teria um teto salarial estabelecido e que as contratações para a Série A teriam um outro perfil – o de atletas com nomes sem badalação,mas que tivessem disposição para aparecer para o mercado.

Ao todo, 11 contratações foram feitas para a Série A. E, de início, o Leão apostou mesmo nessa linha. Sem onerar a folha salarial, buscou atletas por empréstimo e, assim, trouxe o lateral-direito Cláudio Winck, o zagueiro Ernando e o meia Andrigo, que vieram do Internacional; os zagueiros Max e Ferreira, do São Caetano-SP; o volante Nonoca, do Cruzeiro; o atacante Hygor, da Ferroviária-SP e o atacante Carlos Henrique, do Londrina-PR. Mas depois a cúpula rubro-negra parece ter mudado o que pensava antes e conseguiu jogadores mais consagrados.

A principal contratação do Sport para a Série A foi feita por empréstimo: o meia Michel Bastos, que veio do Palmeiras. Depois disso, o clube ainda trouxe outros jogadores como o experiente atacante Rafael Marques, de 35 anos, ex-Cruzeiro. E, por último, o volante Deivid, que estava no Atlético-PR desde 2008.

Efeito Claudinei

  
Claudinei Oliveira só perdeu uma no comando do Sport (Foto: Aldo Carneiro/ Pernambuco Press)
Claudinei Oliveira só perdeu uma no comando do Sport (Foto: Aldo Carneiro)

Claudinei Oliveira foi chamado para ocupar o lugar que até então era de Nelsinho Baptista. Recém-saído do Avaí, o técnico chegou na terceira rodada do Campeonato Brasileiro prometendo uma equipe mais organizada. De fato, ele melhorou os números da equipe. Em oito partidas até aqui sob seu comando, o Leão venceu cinco, empatou duas e perdeu apenas uma. Não é à toa que o Sport vive seu melhor momento em toda a temporada alcançando a vice-liderança da Série A.

 Internamente,há o entendimento que o treinador conseguiu fazer com que os atletas comprassem suas ideias: o Leão, que normalmente alterna entre as formações 4-1-4-1 e 4-2-3-1, se tornou uma equipe mais competitiva na visão de todos.

– Isso é difícil de falar… Encaixe de grupo ou de time… Futebol é encaixe. Às vezes existem elencos cheio de estrelas e não encaixam. Mas com Nelsinho a gente fez grandes jogos, não tenha dúvida. As eliminações acabaram pesando. Mas vamos curtir esse novo momento – disse o meia Gabriel.

Ambiente mais ameno

  
Nelsinho Baptista no dia de sua saída: não faltaram críticas (Foto: Daniel Gomes)
Nelsinho Baptista no dia de sua saída: não faltaram críticas (Foto: Daniel Gomes)

Com eliminações precoces no Estadual e na Copa do Brasil, o Sport bambeava não só dentro de campo. O técnico Nelsinho Baptista, que pediu demissão um dia após o empate de 1 a 1 contra o Botafogo, não teve papas na língua na hora de criticar a diretoria. Entre as acusações,disse que os diretores faziam ” terrorismo ” dentro do centro de treinamento e que faltou dinheiro até para pagar a regularização do atacante Carlos Henrique, que acabara de chegar do Londrina-PR. No mesmo dia os diretores responderam.

Mas hoje o ambiente parece estar menos conturbado. Pessoas que vivem o dia a dia do Sport afirmam que Claudinei Oliveira é uma pessoa de trato fácil e que dialoga de uma maneira clara -principalmente com Klauss Câmara, executivo de futebol, sempre no clube.

É bem verdade que, durante toda a temporada, o grupo do Sport não aparentou ter rachas ou algodo tipo. Mas não tem como negar que a boa campanha faz o astral mudar e a integração entre os atletas ficar mais visível. O caso mais recente foi o de Anselmo. Negociado com o Al Wheda, da Arábia Saudita, o jogador soube da notícia que ia deixar o clube no regime de concentração para o duelo contra o Furacão. Mesmo assim fez questão de ir com todo o elenco para os vestiários e passar mensagens de apoio. Vários jogadores relataram o último momento com o antigo capitão nas redes sociais.

– Anselmo foi no meu quarto conversar comigo e disse que tinha uma notícia triste para me dar. E eu disse que fiquei feliz por ele. Tem que pensar na família. Não posso dizer para ele ficar e chegar uma proposta dessa para mim e eu ir. Tem de pensar na independência. Anselmo colaborou enquanto esteve aqui. Nada apaga os passes que ele deu e os gols que ele fez. Veio com todo mundo para cá, tirou foto com cada um de nós para guardar de recordação – disse o técnico Claudinei Oliveira.

Porém, como dito no início do texto, nem tudo são flores. É óbvio que o Sport vai lutar para se manter na parte de cima e, para isto, vai ter de driblar algumas dificuldades. Principalmente porque tem pouca grana no bolso. Quais são elas?

Atrasos salariais

Segundo o próprio vice-presidente de futebol Guilherme Beltrão, em entrevista concedida à Rádio Jornal, o Sport convive com salários atrasados. Desde o fim do ano passado, o Leão se depara com vários problemas para sanar dívidas com os atletas. A diretoria mantém o discurso de que vai resolver a situação em breve, mas ainda não recebeu um quantia esperada pela venda de Diego Souza ao São Paulo e nem renovou o contrato com a Caixa Econômica Federal, patrocinadora master.

Dificuldades no mercado

Desde o mês de abril,o Sport está no mercado a procura de vários jogadores.

Entre eles, um lateral-esquerdo, que é prioridade no clube. Mas que ainda não foi contratado por diversos motivos: além dos problemas financeiros que o Sport tem, alguns nomes não agradaram a comissão técnica. Jogadores da Série B também foram observados, mas até para trazer peças de uma divisão inferior, o Leão encontra dificuldade. Hoje, se cogita em pinçar um atleta que nunca teve experiência em Série A.

Edição:Robson Ouro Preto